Seguindo a diversidade da cidade de São Paulo, os pontos de vendas de discos não poderiam ser diferentes. Principalmente no centro, há os tradicionais sebos e lojas mais nichadas. 

Em relação ao público, a maioria das lojas batem o martelo em dizer que em sua maioria é composta por homens entre os 30 e 50 anos. Mas isso não descarta a participação ativa de adolescentes e até idosos, pois para eles todo público é importante e agrega novas experiências. Para eles também, o estilo mais procurado é o rock, seguido de jazz e música brasileira.

No centro de São Paulo se concentram as principais lojas de discos da cidade, principalmente na Galeria Nova Barão, onde é possível encontrar lojas antigas como a Disco Sete e a Lado C, além das novas e já consagradas Big Papa Records, Sonzera Records e Locomotiva.

As principais lojas de discos se encontram na “Rua alta” da galeria

“Apesar de dar um bom retorno no Instagram, nossa intenção é montar a loja física. Estamos tentando fazer da Supernova uma loja de música de fato, um lugar para falar sobre música e aprender coisas novas”, comentou Filipe.

Apesar de ter começado ouvindo rock clássico, o que ele mais ouve hoje é jazz. Sobre sua relação com os discos, Filipe tem a interessantíssima ideia da “manifestação de existência”. Seria a aura do objeto. “Essa obra de arte existe e esse artista também. Esse álbum viveu 60 anos até chegar na minha mão”. Fora isso, possibilita uma imersão de “estar lá”, na época e local de seu lançamento.

FOTO 6.jpeg

Logo da loja no Instagram

“Há muitos vendedores tomateiros. Para eles, o disco é só uma mercadoria”, afirma Filipe.

O encontro de Filipe e Caio se deu justamente na galeria, mais especificamente na Big Papa Records. Eles ficaram tão amigos dos donos que brincavam sobre herdar a loja. Não era para pouco. Eles passavam tanto tempo lá que chegaram a ajudar nas vendas e aprenderam muito com os clientes. Mas para Filipe o maior incentivo de ter uma loja foi do casal dono da loja: Carlos Suarez e Kátia Pimentel - carinhosamente apelidados de “Big Papa” e a “Big Mama” -, um cubano e uma brasileira que se conheceram nos Estados Unidos e que foram unidos por meio da música.

“Somos apaixonados por música, em todas as suas formas, vertentes e plataformas de distribuição”. É como Kátia descreve sua relação e de seu marido com a música. Eles vieram para São Paulo no final de 2006 e abriram a loja em junho de 2007, juntando a eterna vontade dela de trabalhar com música e a experiência dele em lojas de discos, selos e distribuidoras.

A Big Papa conta com um bom acervo, que além de discos bem específicos e clássicos, apresenta discos não óbvios e novos para quem quer conhecer coisas novas.

FOTO 7.jpeg

A loja é localizada no nº 30, o número da sorte de Carlos

Luciano teve sua vida mudada para sempre quando a banda Kiss veio ao Brasil em 1983. A partir dali, ele se transformou num fã de rock -para desgosto do pai, que era sambista e baterista de bandas de baile.

O caminho natural foi conhecer bandas clássicas como Queen, Pink Floyd, Black Sabbath e Led Zeppelin, mas seu coração já apontava para o heavy metal em bandas como Iron Maiden e Blind Guardian. “Hoje eu saturei um pouco de rock, então ouço mais jazz, MPB e soul. A gente acaba conhecendo muita coisa testando disco na loja”.

Do Vinil Truck a loja física

Analisando o outro extremo, do outro lado da moeda temos o Casarão do Vinil, na Mooca. O empreendimento do engenheiro civil Manoel Jorge, o Manézinho da implosão, é famoso pelo tamanho do acervo. Só o logo da loja já diz muito sobre ela mesma e seu proprietário. Na arte, vemos a Maggie e o Billy, mas na loja há a presença dos cachorros por toda a parte. Para Manoel, isso cria um ambiente descontraído para as pessoas. Os cachorros representam esse diferencial.

“A ideia é fazer a Mooca a capital do vinil, e estamos conseguindo”, diz Manoel.

Além do casarão, há a loja da Rua da Mooca, além das feiras esporádicas e do plano de abertura do segundo casarão. “Nunca fui um grande fã de música, sempre fui um acumulador, e fiquei fascinado pelas capas do disco e seu conteúdo”, afirma. Para ele, o garimpo é essencial para divulgar a cultura do disco.

O casarão sempre repercute muito quando fazem campanhas de doação, como as de sangue, medula óssea e agasalho. Levando o comprovante de doação, você ganha um disco. Junto dessa ideia de campanha, veio a dos feirões. O Feirão 1 Milhão de LPs foi programado como evento único, mas o sucesso foi tão grande que se repetiu nas 22 semanas seguintes.

A cor rosa é a identidade do Casarão

Isso possibilitou o acesso de muitas pessoas que nunca tinham comprado um disco, pois há descontos muito atraentes na casa (fora os baixos preços nos feirões). Mas é justamente no aspecto do garimpo que suas ideias se diferem das de outros vendedores. Alguns consideram que as ações de garimpo fazem muito mal ao próprio mercado dos discos. No esquema de garimpo não se sabe a qualidade de um produto, por exemplo, o que aproxima esse tipo de venda de uma aura de sebo, que é justamente o que os lojistas querem evitar.

Contudo, os sebos se mostram mais convidativos quando se trata de iniciar novos compradores, o que torna o garimpo de discos mais democrático, tanto pelo acesso quanto pelos preços. Pelas lojas do centro serem de mais difícil acesso, acaba-se não criando uma comunidade de compradores de discos e amantes de música.

FOTO 14.jpeg

Para Luciano, apesar do "boom" que o mercado teve há alguns anos, quando muitos passaram a comprar mas pararam, ele é muito restrito e nichado, e provavelmente não irá se popularizar. “Não sei falar em porcentagem, mas quem consome discos é uma minoria. E nem sei se quero que esse número aumente, pois é uma minoria apaixonada e viciada pela coisa”, opina.

Diferentemente do dono da Sonzera, Manoel tem a convicção de que o mercado ainda prospera, afirmando que comparando esse ano com o anterior, os números são maiores. “A tendência é se fortalecer cada vez mais”, finaliza.

Isso pode estar ligado com os diferentes tipos de negócio. Filipe vê que o grande problema da galeria é a falta de profissionalismo na maioria das lojas, que como consequência não fomenta e constrói um público, tampouco cria uma cena estruturada e completa.

Artistas nacionais dos anos 1980 continuam vendendo muito

Mas não são apenas os lojistas que têm seus defeitos, muitos consumidores também têm. Há os colecionadores “buraco negro”, que sugam tudo o que querem e não devolvem nada para o mercado. E colecionadores desse tipo são muito prejudiciais, pois nada sobra para quem quer conhecer, além de suas coleções ficarem paradas sem um propósito, como se fosse um ter apenas para mostrar aos outros. “Pra mim, o mais legal é o colecionador que tem a ideia do uso. Já abri mão de muita coisa que sei que é boa, mas fiquei com os discos que realmente fazem sentido pra mim, os que mais conversam comigo”, explica.

Analisando de outro ponto de vista, Katia observa que mesmo no auge sempre foi difícil trabalhar com música. Ainda mais em tempos de pandemia, a arte no geral não é considerada, política e até socialmente, como algo essencial. Como ela mesma diz, “antes da Covid-19 a economia já estava muito incerta no Brasil. Há alguns anos já que clientes e amigos da periferia deixaram de frequentar a loja”. É difícil prever como o mercado ficará depois de uma crise como essa.

Fazendo uma intersecção entre a opinião desses mais diversos vendedores de discos, o que resulta é a vontade de criar essa comunidade que consuma discos de fato. Como Filipe comentou, “a união entre vendedores e público fomentaria a criação de uma cena de consumo de música, além de tornar o ambiente mais profissional e convidativo”, assim todos aproveitariam o universo de consumo de discos com mais qualidade.

Após anos apenas frequentando essas lojas, foi a vez do jornalista e amante da música Filipe Werner dar os primeiros passos no maravilhoso mundo de venda de discos, tendo uma boa experiência vendendo no MercadoLivre. Assim foi criada a Supernova em janeiro de 2020, junto de seu irmão, Caio Mathias.

Crédito: Filipe Werner

Crédito: João Machado

Crédito: João Machado

Crédito: Cultura/Estadão (11) e Bruna Zanin (12 e 13)

Crédito: João Machado

Crédito: João Machado

VINIL Sobrevivendo ao Século

SOLTA O SOM

As características do som do disco de vinil e sua qualidade são únicas. A mídia, com cerca de oitenta anos de existência, marcou gerações e continua sendo um grande “xodó” de colecionadores, DJs, produtores e gravadoras ao redor do mundo.  

 

Os LPs são gravados por meio de uma prensa e um disco matriz “impresso” em sua superfície, um sulco que percorre um caminho espiralado em direção ao centro.

A explicação técnica sobre o que é o vinil e sua funcionalidade é peça importante para entender um pouco mais do processo de gravação. Cristiano Araújo, engenheiro de som e produtor musical, explica quais as funções e diferenças do processo de masterização do disco de vinil.

“O produtor musical é aquele que faz a parte artística. Ele bola os arranjos com o artista, quais instrumentos vão tocar, em que hora e quanto tempo de música. O engenheiro de som faz a parte técnica. A gravação da banda ou artista, a gravação dos instrumentos e a mixagem deste som, depois conclui na masterização, que é criar justamente esse produto final para colocar em alguma mídia, seja um streaming, um vinil ou CD”, conta.

Máquina de produção de disco de vinil

“Um LP que teve o acetato bem cortado, as partes metálicas bem produzidas e a prensagem feita dentro dos padrões básicos tem o som infinitamente melhor do que qualquer MP3 ou coisa que o valha, porque nele não há compressão do som por processos digitais binários”, explica um dos donos da fábrica Polysom, João Augusto.

Crédito: Dayran Dornelles

FOTO 01 JOAO AUGUSTO.jpg
FOTO 02 CORTE DE VINIL.jpg

Cristiano Araújo, produtor musical e engenheiro de som

FOTO 03 CRISTIANO ARAÚJO.jpg

Crédito: Divulgação/Polysom

Crédito: Arquivo pessoal

João Augusto, integrante e consultor da fábrica de discos de vinil Polysom

O uso do vinil como ferramenta de trabalho

Todo mundo já deve ter ido a alguma festa ou evento e se deparado com um DJ. E se você não foi, com certeza já ouviu falar sobre um. Os DJs são aqueles que animam a pista e colocam todos para dançar. Estes artistas são profissionais que trabalham reproduzindo e mixando músicas dos mais diferentes gêneros.

 

DJ Chylon, que já atua na profissão há 34 anos, destaca que nenhum outro instrumento consegue superar o vinil. Para ele, até as pequenas falhas do disco tornam ele único e especial.

 

“O disco de vinil não é só uma ferramenta e sim algo que fez parte de toda a minha vida”, conta o DJ.

 

Uma das características de um DJ que trabalhou nos anos 80 e 90 é o uso do disco de vinil como peça chave dos eventos.

Além de trabalhar com o vinil, Chylon também foi um grande colecionador de discos e já chegou a ter centenas deles em casa, ocupando bastante espaço. Apesar disso, ele ainda carrega consigo uma história de amor pelos discos que guarda, considerados seus “queridinhos”.

FOTO 04 DJ CHYLON.jpg

DJ Chylon que atua há 34 anos na profissão e ganhador de prêmios de melhor animador de festas

Chylon, que já ganhou premiações de melhor DJ de bailes em São Paulo, acredita que a mídia não será extinta, pois tem muito poder nos EUA. Ele afirma que daqui em diante, o mundo tende a voltar a aderir esse formato não só como coleção.

Crédito: Arquivo Pessoal

Já Heron Love, de 35 anos, é DJ e Streamer de São Paulo e foi considerado um dos melhores DJs da cena Hip Hop no Brasil em 2010. Ele passou por renomados clubes da cidade com seu estilo e chegou a comandar as pick-ups em uma das festas mais badaladas dos ex-participantes do reality show Big Brother Brasil, a Lounge & Club.

FOTO 05 DJ HERON.jpg

DJ Heron Love utilizando a pick-up

Apesar de ter trabalhado usando o vinil durante grande parte da sua trajetória, o DJ explica que atualmente não utiliza mais este tipo de mídia por uma questão de praticidade e comenta sobre um aparelho que faz a mesma função.

Crédito: Arquivo Pessoal

Algodão Doce

VIDA LONGA AO LP

Disco e vitrola: uma dupla que dá o que falar, ou melhor, o que ouvir. Para alguns, o vinil é uma mídia retrógrada que foi boa enquanto durou, mas que ficou no passado. Para outros, que prezam pela experiência que só o LP possibilita, de escolher aquela capa especial, manusear o disco, encostar a agulha e se deliciar com o som, o “bolachão” nunca saiu de moda. Apesar disso, uma coisa é certa: o vinil permanece vivo, seja na memória dos nostálgicos ou para quem ama a música em todos os seus formatos.

branco névoa

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

IN MEMORIAN

Minhas memórias mais antigas com a música sempre se relacionam com a figura do meu pai. Seja nos CD’s que tocavam no carro dele, nas fitas de vídeo do Iron Maiden que a gente assistia junto quando eu era bem pequeno ou até nas primeiras músicas que ouvi sozinho. Meu pai foi, e é, a maior inspiração quando se trata de música, mas só depois de mais velho fui entender a importância dele em muitos outros assuntos fora ouvir bandas juntos.

Sempre vou me lembrar dos shows que fomos, dos CD’s que ele comprou pra mim, e de todo amor que estava envolvido nesse simples bens materiais. Nunca vou me esquecer da minha alegria ao achar os discos de vinil dele há alguns anos… Ele sempre falava que nunca imaginaria curtir um show com o filho, assim como eu nunca imaginei que ele nos deixaria tão cedo.

A memória, porém, é eterna. Assim como o legado dele em todas as pessoas que com ele conviveram. Sem sombra de dúvidas esse trabalho só existe porque ele me ensinou a gostar de música. Quando escolhemos o tema, eu estava certo de que ele me daria um norte sobre a dimensão e importância dos discos, mas mesmo sem conversar com ele, ele me ajudou muito.

Espero que, onde quer que esteja, ele encare esse trabalho como uma singela homenagem à vida e ao legado de João Eduardo. Encerro com a frase que, desde que a ouviu, virou seu lema: “pra quem tem fé, a vida nunca tem fim”.

Por João Pedro Machado

AMANTES E AMORES

05.JPG

O disco resiste como uma mídia que atravessa gerações e continua tendo espaço no coração dos colecionadores. A recordação musical do paulistano William Fialho se mantém viva e pulsante desde os anos 80. Seu primeiro contato com a mídia foi nas festas de família, todas embaladas pelas vitrolas. “Foi uma época marcada por grandes acontecimentos musicais, e o vinil ainda se fazia presente como mídia de veiculação da música. Eu cresci sob esse som”, lembra William. 

 

Assim como o apreço pelo samba e pela MPB, a admiração pelos LPs foi influenciada desde a infância por seu pai e seus tios. O paulistano se tornou músico e isso o levou a uma aproximação ainda maior com os discos. Foi quando começou a construir sua coleção com os discos que herdou do pai.

Na mão dos colecionadores os discos se tornam preciosidades

O Long Play se tornou seu instrumento de pesquisa pessoal. Ele sentia prazer em destrinchar toda a ficha técnica ao encontrar um disco, sabia tudo, desde o compositor até o arranjador, mas lamenta por isso ter se perdido com o advento da música digital. Para William Fialho, o vinil é um símbolo cultural e não poderia ter saído de circulação.

Onde o vinil me levou

A relação com os discos e com a música levou o paulistano a viver experiências com grandes nomes que antes estavam apenas nos discos da sua coleção. Em sua carreira, William conheceu Carlinhos Russo, autor de sambas com letras de crítica social. “O primeiro disco que me chamou atenção é o ‘Bezerra da Silva - Se não fosse o samba’, e por ironia do destino hoje eu sou amigo do compositor desse samba”, recorda o músico sobre Carlinhos.

 

Fialho também faz memória aos 10 anos que trabalhou ao lado do compositor e sambista Almir Guineto na banda ‘Clínica Geral’. “Aprendi muito com o mestre. É um fato importante na minha caminhada ter ouvido o LP desse grande artista brasileiro e depois ter subido ao palco pra trabalhar com ele”, relembra o músico.

Crédito: Maria Fernanda Inácio

Você tem fome de quê?

No auge de seus 14 e 15 anos, a diversão de William era passar o dia nos sebos do centro da cidade à procura dos LPs. Garimpava discos por todas as lojas, tinha sede das novidades. Ele relembra. “Eu ia lá para o centro da cidade, voltava no final da tarde para casa, com a sacola cheia de disco. Gastava até o dinheiro do almoço em LP. Quando chegava em casa, minha mãe falava: agora frita os discos e come”.

“Um dia ainda vou comprar esse disco”

Nos anos 60, em pleno Rio de Janeiro, um menino de família simples chamado Valdir Siqueira anotava as músicas que escutava no rádio e pensava: “um dia eu vou comprar isso tudo”. Mesmo sem uma vitrola, em 1964 seu irmão comprou um compacto do Elvis Presley e outro dos Beatles. Mas em 1967, o que era só um rabisco anotado no papel se materializou. Valdir comprou seu primeiro disco: George Freedman, Coisinha estúpida. De lá pra cá, ele não parou. Hoje coleciona mais de 30 mil discos e uma enorme bagagem musical.

Protagonista: esse é o papel do vinil na estante e nas memórias de Valdir

Siqueira começou a construir sua coleção em 1969, quando começou a trabalhar. Ele se considera muito eclético. “Tem de tudo, desde sertanejo até o rock metal. Menos funk”. Valdir lembra da época em que comprava discos e ouvia na casa dos outros, “eu fiquei vários anos sem ter uma vitrola de qualidade para poder ouvir os LPs. Eu tinha disco, mas não tinha vitrola”. O carioca afirma que conseguiu comprar todos os discos das músicas que anotou quando criança, além de um toca-discos “caprichado”.

13.jpg

Para Valdir Siqueira, o vinil também foi um canal que lhe possibilitou conhecer artistas, realizar parcerias com gravadoras e participar de projetos relacionados ao mundo da música. Siqueira, que já é aposentado, relata que já emprestou mais de 500 capas de discos e que colaborou com projetos como no livro de seu amigo Charles Gavin ‘300 discos importantes da música brasileira’. Na casa de Valdir acontecem reuniões todo ano, entre os amigos relacionados ao mundo da música e colecionadores, como forma de cultivar o vínculo que os une e aproveitar o som do vinil.

Siqueira se orgulha ao relembrar da colaboração no projeto do amigo Charles Gavin

O LP não perde a majestade

Com o surgimento do CD e das plataformas de streaming, as vitrolas foram abrindo espaço para as novas mídias. Mas isso não representou uma perda definitiva do formato. Há quem defenda a sonoridade dos discos, que traz consigo muito mais do que um som, e sim uma experiência musical.

14.jpg

O queridinho de Siqueira, em duas versões: Roberto Carlos e Ken Griffin

Tem gente que ainda vive, em pleno século XXI, a ilusão de que as músicas tocadas nos discos de vinil são inferiores àquelas tocadas nas plataformas digitais. Que tudo relacionado a ele é velho, antigo e sem cor.

 

Em geral, essas pessoas acreditam que a história, a essência, os processos e o amor dos admiradores do vinil ficou no passado, assim como o seu auge.

 

Mas espera aí! Quem disse que o vinil morreu?

Na visão dos ouvintes e daqueles que realmente são fãs de música, a expressão “a volta do vinil” é apenas uma visão simplória da mídia sobre a indústria fonográfica. O LP viveu o seu ápice na década de 80, quando foram vendidos milhões de discos. Com o advento do CD e das plataformas de streaming foi deixando de ser soberano nas vendas. Mas para quem gosta de música, de fato, e entende minimamente de mercado, a verdade é que, apesar de sair do principal circuito comercial, o vinil sempre esteve em cena. 


O design do disco físico, a arte das capas, as características do som fizeram com que o “bolachão” continuasse presente de diversas maneiras, na história da música, nas prateleiras dos colecionadores, na sonoridade dos discos, nos sebos, em feiras e exposições. Eis o elo que une o presente e o passado do Long-Play, a sua capacidade de se reinventar e permanecer.

Crédito: Franklin Toscano/Thiago Souza/Elias Nogueira/Gilberto Fontes

Crédito: Amoreira

Crédito: Márcio Alves/Agência O Globo

Ainda que o vinil esteja ocupando novos espaços, o cenário é diferente. As formas de consumo musical estão ressignificadas. Entretanto, o vinil nunca perdeu o seu charme, quem admira o LP valoriza o gostinho de tirar o disco da capa, colocar na vitrola, posicionar a agulha e ouvir aquele som, com o chiado que é a marca registrada do formato. “Enquanto tiver vitrola e agulha, a gente vai ouvindo o disco", orgulha-se o colecionador Valdir Siqueira.

Crédito: Maria Fernanda Inácio

William e suas relíquias ao alcance das mãos